Artigo avalia terapias para sintomas da menopausa em sobreviventes de câncer de mama
Ressecamento vaginal, ardor, irritação e dor durante as relações sexuais estão entre os sintomas da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), condição frequente entre mulheres sobreviventes do câncer de mama e que pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Como a terapia hormonal costuma ser contraindicada nesses casos, tratamentos como laser e radiofrequência têm sido investigados como alternativas não hormonais. Mas esses métodos são, de fato, eficazes e seguros para todas essas mulheres?
Essa questão foi analisada em um artigo desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Saúde Baseada em Evidências (Saber) e publicado no International Journal of Gynecology & Obstetrics, sob o título Laser e radiofrequência para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa em sobreviventes de câncer de mama. O grupo é vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) do Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRN) e coordenado pelas professoras do Departamento de Tocoginecologia Nicoli Serquiz de Azevedo e Ana Katherine Gonçalves.
O artigo faz uma revisão dos principais estudos clínicos sobre o uso de terapias não hormonais para o alívio dos sintomas da SGM em mulheres que já passaram por tratamento oncológico. “A síndrome geniturinária da menopausa ainda é um assunto pouco discutido por pacientes e profissionais de saúde. A pesquisa desse tema está relacionada à necessidade de um olhar mais atento para mulheres que, muitas vezes, sofrem em silêncio com sintomas intensificados pelos tratamentos oncológicos”, explicou a professora Nicoli Serquiz.
ESTUDOS
Para a revisão, os pesquisadores consultaram trabalhos disponíveis em bases internacionais de artigos científicos que avaliavam o uso de diferentes tecnologias aplicadas por via intravaginal, como laser e radiofrequência. A análise revelou, no entanto, um número ainda limitado de ensaios clínicos nessa área.
Além disso, embora os resultados disponíveis indiquem que essas intervenções sejam seguras e possam promover melhora dos sintomas no curto prazo, os autores destacam a necessidade de pesquisas mais robustas, com maior número de participantes e acompanhamento prolongado, para confirmar a eficácia a longo prazo.
Segundo Nicoli Serquiz, também é essencial avançar na identificação dos perfis de pacientes que mais se beneficiam dessas terapias, além de definir o número ideal de sessões e a duração dos efeitos. “Essas lacunas reforçam justamente a importância do ensaio clínico que estamos conduzindo na UFRN, atualmente em fase final. Temos observado melhora clínica em parâmetros como ressecamento vaginal, lubrificação e saúde vaginal”, revelou.
O artigo pode ser consultado na íntegra neste link.
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Marcone Maffezzolli – Jornalista
Assessor de Comunicação do CCS
(maffezzolli.ufrn@gmail.com)